Sexta passada como eu não ia sair, liguei pra minha amiga Salomé, convidando-a pra tomar uma sopa, conversar amenidades, assistir o globo repórter sobre o dia das mães e na seqüência, o “Jorge Horácio”(eu adoro um programa tosco de tv!). Devo esclarecer que eu detesto cozinhar, e portanto, pediríamos a sopa no famoso “barraco da sopa”. Convite aceito, fizemos o pedido. Tudo parecia tranqüilo até que o interfone tocou. Enquanto a dona do apê atendia o interfone, estava eu sentada tranqüilamente no sofá, quando de repente, vejo uma coisa cinza enorme voando na minha direção!! Numa reação instintiva, eu soltei aquele “aaaaiiiii”! Devo aqui ressaltar que naturalmente eu já falo bem alto. Exaltada então... Jesus! Ouço a Salomé dizendo pro “sopeiro”: - só um minutinho! (imagino q ela estava forçando um sorriso amarelo). Pára perto da mesa, olha pra mim e fala entre dentes: - Ficou maluca?, respondi, “não, um bicho pulou em mim!”. Só que o infeliz me atacou e sumiu!! E lógico, ela achou q eu era maluca, esquizofrênica e via bichos imaginários. Sentou no sofá feliz e contente pra tomar sua sopa, e eu, desconfiada, preferi me equilibrar na cadeira bem longe. Como vingança é um prato que se come frio (neste caso quente), só vejo nossa amiga saindo do sofá em “saltitos” dizendo “ele tá aqui!”. Reação inicial foi a do “eu disse, eu disse”. Reação posterior, e agora, faríamos o que, duas “mulherzinhas” e aquele gafanhoto-gigante-cinza-monstro pronto pra nos atacar. Foi então que lembramos que havia uma terceira existência naquela casa: uma bichinha peluda, gorda, amarela que adora atacar insetos ... a gata da Salomé, Mel! Estávamos salvas! Era só pegar a Mel, jogar no monstro e tudo estaria acabado. Sacrifício inicial, conseguir pegar a bichinha. Percebendo que algo estranho estava acontecendo, ela, que já não é muito sociável, escondeu embaixo da cama, correu pra debaixo da mesa, até que a cercamos e eu consegui agarra-la. Com ela no colo(que pesa 7kg), fui pé ante pé até onde o gafanhoto-monstro estava pousado. Joguei a Mel em cima dele. Pronto, pulou ele de um lado, ela de outro. Estavam se conhecendo. Ele parou na porta de vidro, ela na frente dele, em posição de ataque. Viva! Passou um minuto, dois, três e ... nada! Angustiada, gritei “vai Mel!!”. Nada. Ela deu meia volta, um miadinho, e andou até o meio da sala. Lavou uma patinha. Gatos servem para que mesmo?? E o monstro cinza, glorioso, rindo, deu mais uma voadinha pelo apartamento e parou no corredor! Antes que se instalasse no quarto da pobre Salomé(e nós tivéssemos que ligar para os bombeiros) me enchi de coragem, com uma vassoura em punho e derrubei ele de lá! Depois de alguns minutos parada, sem saber o que fazer com ele embaixo da minha vassoura e vendo só uma cabeça da minha amiga sair da parede da cozinha, arrestei o bicho pela sala com a vassoura e joguei sacada abaixo! Uh! Quanta coragem! Me livrei do monstro, que caiu sacada abaixo já quase morto, pelos meus requintes de crueldade. O importante era que estávamos salvas!(confesso que senti um remorsozinho... podia ter dado um pancada pra ele morrer de uma vez, mas, e se ele escapasse?). Bom, pra resumir a ópera, mais de uma hora depois do fato consumado, eis que a senhorita Mel, resolve atacar a porta de vidro, “pensando” que o gafanhoto-monstro ainda estava lá. Será que eu que sou esquizofrênica, amiga Salomé? Não sabia que gatos tinham déjà vu.
Publicado em 18 de maio de 2007 às 02:49 por pati
É hoje que eu vou ser demitida, se continuar rindo desse jeito!