O amor chegou em setembro. Estava sentada no sofá, batendo papo com uma amiga e com preguiça de tomar banho. Quando o telefone tocou, eu não sabia que era o amor. Se soubesse, talvez não tivesse atendido. O amor chegou de calças e camisa pretas e sorriu pra mim. O sorriso mais lindo que eu já vi. O amor me olhava dentro dos olhos. Enquanto me olhava, sentia um calafrio percorrer por todo meu corpo. Tinha a sensação que o amor já me conhecia por dentro. Já éramos íntimos. Quando o amor me beijou eu perdi a noção de tempo e espaço. Não sabia mais onde eu estava, quem eu era. Não tinha mais jeito. Então, me rendi ao amor. Quando o amor foi embora, ele levou meus sonhos, minha vida... mas esqueceu de levar tudo que havia deixado em mim.
EU TE AMO
Chico Buarque
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.
Publicado em 04 de junho de 2007 às 00:52 por pati